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  • Rita Abematsu

Escolhas da vida

Nesse feriado perdi minha avó paterna, ela tinha 93 anos e viveu plenamente e lúcida até o final. Foi a primeira vez que vi uma pessoa viver até o último final de sopro, foi triste e ao mesmo tempo de uma dignidade...

Minha vó não falava português, isso dificultava nossa comunicação, porém nesses últimos tempos comecei a perceber quem era essa mulher. Ela sempre calada no seu canto, nos observando sempre. Ausente mas presente... Essa dignidade que só os sábios possuem, é algo que deveríamos reconhecer e aprender.

Ela deve ter sido uma mãe extraordinária, porque a dedicação que meu pai, meu tio e minhas tias tinham por ela era algo lindo de ser ver.

Foi de repente, começou com uma pneumonia que depois foi se desenvolvendo a um cansaço e sua luz foi apagando...

Meu pai e minha tia com viagens marcadas, não sabiam o que fazer e minha avó simplesmente os deixou livres para seguir seus caminhos. Ela não era uma mulher egoísta. Assim eles foram, mas no meio do caminho ela se foi e eles não conseguiram vê-la em seu último momento.

Ela escolheu partir no momento que permitiram que ela fosse, suas últimas palavras foram: "Finalmente posso ir", foi mais ou menos isso que me falaram..

Todos sofreram sua partida, os presentes e os que não estavam presentes fisicamente. Percebi que os ausentes sofriam muito pela distância, por não estar junto, por ter ido... enfim... mas o mais importante é saber o que foi feito em vida e ter essa consciência tranquila que cada um fez o que pôde dentro de suas "escolhas".

A escolha é de cada um e todas possuem suas consequências, o maior julgador é aquele que está dentro de nós. Por isso, não importa a escolha que fizer, saiba que não haverá julgador maior que a sua consciência. É nesse momento que é importante refletir pelo que fizeram e pelo amor que deram em vida e relaxem...

Estou aprendendo muito com esse processo e tenho uma profunda gratidão a essa minha avó que ensinou muito no silêncio e deu uma grande aula de dignidade até o fim.

Dignidade... Repeti essa palavra diversas vezes neste texto, mas é o que mais me reflete nisso tudo. Espero fazer jus a essa linda ancestral que partiu com tanta maestria e espero poder fazer "escolhas" que dignifiquem essa linhagem. Sinto honrada de fazer parte desta família e espero continuar honrando até o final. Até o final do dia que minha luz se apague e outro descendente possa perceber o significado das "escolhas da vida" e ficar em paz e tranquilo.

Namastê

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